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terça-feira, 17 de março de 2015

Livro - Mercenário - Anatomia de um Assassino

Seguindo a série de encadernados de vilões que a Marvel/Panini estava publicando nos dois últimos anos, esta graphic novel apresenta o oponente do Demolidor e sua origem. Dois funcionários da Agência de Segurança Nacional (ASN) vão se encontrar com o Mercenário/Lester, que está preso. O objetivo da dupla é descobrir onde que o malfeitor escondeu bombas nucleares roubadas de contrabandistas. 

A dupla da ASN é formada pelo agente Scott Hoskins (o músculo) e Marcus Baldry (o cérebro). Após vários procedimentos de segurança máxima eles entram no cárcere do Mercenário. Baldry pede para que Hoskins apenas obedeça as suas ordens enquanto os dois estiverem na presença ao vilão. Marcus B. é um agente ao estilo detetive CSI: joga com a cabeça dos outros, tenta ler os sinais através das expressões e ações do interrogado. Técnicas de metagame bastante utilizadas nas mesas de poker. 

Contudo, Mercenário é um ex-agente especial da ASN. O seu treinamento e instruções táticas usadas pelos agentes já é de seu conhecimento. Logo, quando Marcus começa a perguntar sobre sua infância e o meio onde viveu, Bullseye introduz sua vida de sofrimento domiciliar dentro de um bairro barrada pesada. As respostas do Mercenário podem até gerar uma pequena dúvida se foi o ambiente - tanto familiar quanto a região onde morou - que influenciou de tal maneira para se tornar o lunático inimigo do Demolidor.

Horas de interrogatório se passam sem grandes conquistas. Scott começa a ficar nervoso e pretende buscar respostas à moda antiga. Mesmo sabendo que Lester possui grande força, habilidades marciais e nenhum resquício de piedade sobre a vida alheia, o agente pretende ir para o combate e dai em diante tudo começa a tomar um rumo previamente calculado.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Livro - Asilo Arkham


O presídio mais famoso dos quadrinhos é a locação onde acontece toda a história desta HQ. Espantalho, Coringa, Pinguim, Crocodilo e companhia estão todos encarcerados e sendo tratados na clínica-prisão psiquiátrica.

Após um descuido os criminosos de Gotham tomam o controle do Asilo e Batman é chamado para resolver a situação. Claro, porque a polícia de Gotham City só serve para arrancar dinheiro do contribuinte, né!? O Coringa, chefe da rebelião, libera todos os funcionários. Contudo, Ruth Adams (psicoterapeuta que parece não estar 100% das faculdades mentais) decide permanecer no local.

A galera do mal quer apenas o "guardião silencioso, o protetor cuidadoso, O cavaleiro das trevas". O argumento, em histórias anteriores, que o Batman é quem cria seus inimigos retorna. O Morcego, novamente, terá um conflito interno para solucionar.

Em determinado momento da rebelião Duas Caras terá o poder de decidir, através de sua moeda risada, se Batman morrerá ou ganhará a liberdade de Arkham. Não há surpresa, mas é bastante interessante os argumentos do detentor da moeda de prata.

Dave McKean ilustra genialmente, como de costume, a graphic novel. O estilo noir de Gotham é desenhado de forma mais suja, mais esfumaçada que a elegante Gotham de 1920. Um ótimo bônus nessa edição definitiva  é o roteiro original com todas as notas de Grant Morrison. E as citações tanto no início quanto no fim da história em quadrinhos são bem pertinentes.


Texto ao som de:
Danny Elfman - Batman (Theme Movie 1989)
Hans Zimmer / James Newton Howard -  The Dark Knight 
Powerglove - Batman 
Igor Gaiduk - Main Theme Batman Arkham Asylum

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Livro - Maus (História Completa) de Art Spiegelman

"Os judeus são indubitavelmente uma raça, mas eles não são humanos". Hitler, Adolf. 

A suástica na capa pode assustar os mais desavisados. Alguns podem crer se tratar de propaganda nazista; mas não. Lembrando que a suástica faz parte de diversas culturas como astecas, budistas, ... Os alemães apenas desvirtuaram o significado do símbolo.

Maus (ratos em alemão) é uma graphic novel (quadrinho de luxo) desenvolvido pelo sueco-americano Art Spiegelman. A HQ contém quase 300 páginas e é toda em preto e branco. Sua diagramação básica é composta em grande parte de pequenos e vários quadros em cada folha dando velocidade a leitura sem perder esquecer de detalhes. Muitos criticam a grosseria dos desenhos, mas o próprio autor/desenhistas não acha que seus desenhos são importantes para o entendimento da obra. E ele está completamente certo.

O livro conta a história de Vladek Spiegelman - pai do escritor: um polonês judeu que conseguiu sair vivo dos campos de concentração da SS (Schutzataffel). Vladek narra para seu rebento, através de várias entrevistas como foi absurdamente desgastante (sobre)viver sob domínio dos nazistas. 

Através dos relatos do pai, Art - que não tem uma boa relação com seu progenitor - começará a compreender porque seu pai se tornou um ser humano tão ligado a pequenas coisas. Mala, segunda esposa de Vladek, vive brigando com ele por causa desse ciúme doentio por objetos sem grande valor. Em Auschwitz (um conjunto de mais de 40 campos de concentração), Vladek não era dono de nada. Quando se viu fora do controle germânico começou o apego a qualquer objeto de posse sua.

O caráter sentimental utilizado por Spiegelman-filho não chega a ser melodramático, mas emociona qualquer pessoa que tem sangue nas veias. A separação de Anja (mãe de Art) e Vladek em campos de concentração diferentes e a luta para se unirem novamente mostra o quão amor o ser humano pode ter em momentos de extrema agonia. 

A principal característica visual e grande sacada de Maus é a antropomorfização dos animais. Art separou as nacionalidades em diversos animais que possuem natureza semelhante aos povos citados citados no livro. Os judeus são ratos: vitimas indefesas. Os alemães são gatos: inimigos dos ratos. Os americanos são cachorros: adversários naturais dos gatos. Os poloneses são porcos. Segundo o autor a escolha de porcos se deve ao fato dos americanos gostarem dos suínos retratados em seus programas televisivos. Outras nacionalidades de menor importância são antropomorfizadas durante a história em quadrinhos. Provavelmente Art foi influenciado por George Orwell (A Revolução dos Bichos) e Kafka (A Metamorfose).

Esta graphic novel é a comics definitiva para aqueles que ainda teimam em achar que a técnica dos quadrinhos é uma arte menor, vazia e infantilmente fantasiosa. Maus é um relato de parte da 2ª Guerra Mundial digno de A Lista de Schindler, Ladrões de Bicicletas, Band of Brothers, A Queda, O Menino do Pijama Listrado. ... Provavelmente Maus estará na mesma prateleira de Gen - Pés Descalços, Persépolis e Palestina. 
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