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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Gosto se discute? Lógico!



Queria saber quem foi o "sábio" que proferiu a frase do título. Bem, melhor não saber. A internet está cheia de opiniões e opinadores profissionais e amadores. E isso é ótimo. Nenhum problema quanto a esse fenômeno. Viva a liberdade de escrever asneiras e coisas que realmente tem valor. Mas quem define o que é um bom gosto? 

Canais de TV e grandes sites da nossa internet 7x1 adoram matérias ao estilo "As 10 maiores/melhores _____________ do _____________. A postagem é apenas a avaliação de uma pessoa. Geralmente a opinião não representa o pensamento do veículo de comunicação. Todavia, uma minoria RBD (que faz mais barulho que a maioria) ataca o escritor/blogueiro/apresentador sumido pela ausência de alguma coisa na lista. Como se a dita lista fosse algo que fosse reger os caminhos da Humanidade após sua publicação.

Gosto musical é uma área que o sangue dos fãs ferve pelo artista venerado. Não pode mal do artista durante a vida e nem morto. Porque se criticar a horda que não tem consideração pelo pensamento contrário te jogará na fogueira da Inquisição. E não é só gosto popular não. Conheço gente que acha as músicas do Tom Jobim, Vinícius de Moraes e a turma da Bossa Nova um porre. Já pensou alguém escrevendo isso no facebook (que só anda ladeira abaixo)? Seriam execrados da mesma maneira que o José Ramos Tinhorão quando ele arrebenta com o pessoal do violão e canto baixinho. No Brasil, unanimidade mesmo só o Silvio Santos. 

Tudo é discutível. Política, futebol, religião, o que é bonito... Valor cultural é diferente de valor definitivo. O problema é essa geração mimimi que não contra-argumenta e não respeita nada. Seu ídolo manterá o mesmo status que daqui 50 anos? Dificilmente! Poucos conseguem. Grande parte da cena musical maistream não é feita para durar mesmo. A mesmice não é vantajosa para os chefões do mercado musical. A variedade de produtos tem que ser sempre renovada para que o cliente compre a novidade do momento.

Isso não significa que devemos deixar de ouvir o que gostamos. Ouça música com sons monossilábicos sem qualquer sentido ou relevância ou ouça música com várias camadas que faça você pensar sobre o futuro do planeta. Cada um que estrague os ouvidos com o que lhe convém.


Texto ao som de:
Inezita Barroso - Marvada Pinga
Tonico e Tinoco - Tristeza do Jeca
Konversão Cover - Enter Sandman
Hardneja Sertacore - Dormi na Praça 
D.D.O - O Vendedor de Pequi
Comitiva do Rock - Puxando Ferro

sexta-feira, 27 de março de 2015

Esquerda, Direita: Vou ver qual arte mesmo?





Parem de misturar as coisas. Entendo perfeitamente, e é direito de qualquer um ser fã de alguém não só pelo talento do artista. Alguns apreciam as escolhas pessoais de certo artista. Ah, tal artista gosta das mesmas roupas, filmes, comidas que eu. Ohhhh, que legal. 

Agora deixar de gostar de um artistas porque ele apoia/defende determinado político/partido é meio estranho. Separem a "pessoa pública" da "pessoa privada". O talento do cantor/ator/pintor continua o mesmo; só por que ele não vota no mesmo candidato que o seu agora tu deixa de gostar do trabalho do cara? É isso? 

O primeiro (que lembro) a sofrer desse tipo de comportamento é/foi o Chico Buarque. O comunista fã do PT com apartamento em Paris. Como se uma coisa excluísse a outra. É o mesmo que dizer que gente de esquerda não pode comprar celular top de linha. Melhorem os argumentos. Anos atrás foi o Lobão: ex militante do PT, que inclusive foi proibido de voltar para àquele canal que vocês adoram odiar. O fato aconteceu naquele programa dominical com ele cantando Lula-lá? O Sr Marinho prometeu que enquanto estivesse vivo o Lobão não pisaria mais na emissora. E assim foi! Então o cara mudou de opinião e agora é achincalhado pelos ex-companheiros. Inclusive Lobão era um que alfineta(va) o José de Abreu em redes sociais. Conheço pessoas próximas que deixaram de curtir Chitãozinho e Xororó após o apoio da dupla ao Aécio Neves. E assim vai ... 

Os últimos a aturarem isso foi a banda Dead Fish. Talvez parte considerável das pessoas não conheçam a banda. Afirmo que os caras tem uma longa bagagem e uma grande relevância na cena alternativa. Não interessa se a declaração polêmica "SOMOS DA ESQUERDA, SE VOCÊ É DA DIREITA E COLA NO SHOW, VOCÊ ESTÁ NO LUGAR ERRADO! FIM!" foi escrita por um dos integrantes da banda. OBS.: se não foi acho bom a banda cuidar pessoalmente da conta para não ter que se explica depois. Continuando ... Se isso é opinião da banda - coisa que parece não ser -, paciência. Você que é de direita, esquerda, centro, leste, oeste, norte, sul ou qualquer droga de rótulo que curte o som tem que ir no rolê e pronto. Ninguém vai perguntar sua ideologia política na entrada do show. 

Parem com isso de só ouvir artistas de esquerda ou direita. Elvis apoiava Nixon. Johnny Ramone apoiava Ronald Reagan e Bush Filho. O ser humano é melhor que isso (acho). Você ouve o que quiser. Você vai na peça de teatro de quem quiser. No espetáculo de quem quiser. Quantas vezes quiser. Para de rotular os outros, seu &¨%$#@!. Não seja um comentarista das matérias do Whiplash (Olha eu rotulando haahahaah)


Texto ao som de:

terça-feira, 29 de julho de 2014

Brasileiros e Festivais Musicais de Grife


Antes mesmo de iniciar o texto, já responderemos o provável questionamento: sabemos que uma pequena minoria privilegiada vai aos grandes eventos de música. A generalização é apenas um instrumento para facilitar o entendimento geral. 

A cada ano surgem novos megas festivais de música no Brasil. Grande maioria com sucesso esmagador. Exceção para o Metal Open Air. Agora, há poucos dias, foi anunciado o Tomorrowland: maior festival de música (?) eletrônica do mundo. Usuários das redes sociais já compartilharam várias e várias fotos com o nome do festival nos seus humildes cofrinhos. E vão precisar. Em regra, esses festivais possuem entradas absurdamente caras. Contudo, brasileiro é assim mesmo: reclama do preço, paga mesmo assim, e continua pagando caro indo para o mesmo evento no ano seguinte. 

O modo como ouvimos música mudou. Antigamente, lá pelos anos 80, ganhávamos um LP/fita K7, colocávamos o regalo no aparelho 3x1 e ficávamos sentado/deitado próximo a caixa de som segurando o encarte para acompanhar a letra da canção. E só! Permanecíamos estáticos para ouvir a música. Hoje, apertamos o play e nem sabemos o porquê. Fazemos tudo ao som de uma mp3, menos prestar atenção no som. O mesmo vale para ouvir música em festivais. Ouvimos a banda X conversando/gritando com a pessoa ao lado, ouvindo música na fila do banheiro, na fila do caixa, sentado no lounge, sentado/deitado na lama de costas para o palco...

Há 05, até 08 anos atrás reclamávamos da ausência de shows internacionais de grande porte. Atualmente, temos que selecionar. Não temos tempo e nem dinheiro compatível com a oferta. Empresários sorriem de orelha a orelha. Estes eventos se tornaram um tiro certo para os bolsos dos donos/parceiros destes espetáculos. Festivais de marca (como Lollapalooza, Rock in Rio, ...) vendem boa parte dos ingressos antes mesmo de fecharem 100% suas programações. Com essa postura, os consumidores: compram ingressos antecipadamente por causa da música ou por causa do evento social "festival"? Não existe certo ou errado para essa indagação. 

Existem aqueles que vão apenas para falarem que foram ao evento. Geralmente esse grupo é o mesmo que vai em grandes shows desse novo sertanejo, na mega micareta, ... Parte desse nicho lembra muito aquele pessoal que vai em desfile de moda e quer aparecer mais que os modelos que desfilam. Seja por modismo, status, "vitrine cult", ... Whatever! 

Em contrapartida, no córner oposto surgem aqueles que adquirem os primeiros bilhetes nos primeiros minutos da primeira madrugada de abertura de vendas por confiarem na reputação e qualidade das bandas que serão convocadas. Estes, provavelmente, serão os primeiros da fila. Ficarão na grade durante todos os shows. sofrendo com compactamento do tórax no obstáculo de contenção da manada. Normalmente esse grupo é o que dá mais trabalho para o departamento de primeiros socorros no festival. Todavia, estes fãs saíram felizes. Chorando de emoção. 

E por fim, encontramos o meio termo. Essa repartição de fãs, comumente, é experiente. Nasceram na década de 80 e aprenderam na prática. Possuem conhecimento anterior suficiente para ficar no meio termo. Eles veem o mapa do festival no site. Ficam perto do bar (que fica perto do banheiro) e que também não fica muito perto do palco.  

Cada grupo ouve/consome música da maneira que bem entender nestes feudos-festivais. Contudo, o confronto gerado pelas discussões desses grupos citados anteriormente é que o dá graça antes, durante e depois dos festivais.


Texto também postado em:

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Show de rock = Desfile?

Não importa se é no Lollapalooza ou no Goiânia Noise. A quantidade de pessoas que vão em festivais para tudo, menos ouvir as bandas é bastante considerável. Todos julgam todos, então vamos ser menos hipócritas, né!? 

Antes que falem o dinheiro é delas, azar o delas se não estão ouvindo as bandas digo que isso não me irrita. É como torcida organizada: não vou para estádio para ver torcida fazendo festa, e sim para ver a partida. Claro que é divertido ver as pessoas fantasiadas estreando sua camisa rockeira. Eu mesmo gosto de ir wannabe modinha geek. Contudo, eu vou para ouvir o som das bandas. O principal objetivo de um festival é (ou deveria ser) apresentar o trabalho das bandas para o público.

Acostumamos com a preguiça. As pessoas só aparecem poucas horas para ver o headliner da noite ou chegam cedo para fazerem sua exposição na medina.  Enquanto isso, perde-se uma grande oportunidade de conhecer novos sons. Reclamam que as rádios só tocam porcaria, mas preferem ficar bebendo/fumando do longe do palco durante o show de uma banda desconhecida.

Em (quase) todo festival tem um produtor musical perambulando pelos shows. A galera longe do palco é um sinal de que a banda não esta empolgando/não tem um grande público cativo. Seja mais educado/paciente com as bandas locais que abrem para a grande atração da noite. Se coloque no lugar dos caras que estão tocando num lugar com um som horrível, num ambiente tão quente quanto Cuiabá e recebendo duas ou três cervejas de cachê.

Texto escrito ao som de:
The Feitos - Disco do Roberto
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